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Cooperativismo
     

20/12/2019
Uma por todas - como o cooperativismo pode salvar mulheres vítimas de violência

Matéria publicada na Revista Saber Cooperar, do Sistema OCB, mostra filosofia humanista promovendo empoderamento enquanto rompe ciclos de abuso

Arte: Revista Saber Cooperar/Divulgação

Cecília* (nome verdadeiro preservado) é uma mulher que representa muitas. Como tantas de nós, foi criada para ser obediente ao pai, ao irmão, ao marido e — um dia — também aos filhos. Como 70% das mulheres do mundo, foi vítima de algum tipo de violência no decorrer da vida apenas por pertencer ao sexo feminino. Foi ameaçada de morte por um marido, desqualificada por outro e sexualmente abusada na infância. Mas, apesar disso tudo — como cada vez mais mulheres —, conseguiu romper esse ciclo de violência antes que fosse tarde demais. E fez isso com a ajuda do cooperativismo. “O cooperativismo me salvou”, disse a jovem, que prefere manter o verdadeiro nome em sigilo para proteger a si mesma e ao filho de três anos.

“A independência financeira da mulher é o caminho para o fim da violência! E eu consegui essa independência graças ao cooperativismo. Quis contar minha história para outras mulheres se sentirem fortalecidas também e perceberem que podem andar com as próprias pernas e saírem disso”, reforça. Cecília teve o direito de ser criança roubado pela violência. Com menos de 5 anos, teve de passar a noite no meio de um matagal, ao lado da mãe e do irmão mais velho. Eles fugiam das ameaças do pai, que prometia, aos gritos, matar a esposa. A separação veio logo, mas a paz, não. Em vez de o divórcio livrá-la da violência, o novo casamento da mãe tornou-se sinônimo de flagelo para a garota. Aos oito anos, ela entrou para uma assustadora estatística: 53,8% das mulheres vítimas de estupro têm até no máximo 13 anos, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O padrasto começou a abusar sexualmente da menina. Por medo, ela não contava nada para ninguém, mas sentia que aquilo não estava certo. Queria ir embora daquele lugar. Escapar. E foi.

 

Rota de fuga

Antes de completar 16 anos, Cecília foi morar com um homem 24 anos mais velho. Viveu sob três meses na mira das ameaças que o parceiro dirigia a ela. “Apronta comigo pra ver...”, a intimidação chegava com acusações de infidelidade. Ele até comprou um revólver e avisava: uma das três balas da arma seria usada para matá-la. O corpo — ameaçava — seria jogado em poço e ninguém sentiria falta ou procuraria por ela. Apavorada, ela fugiu outra vez. Como vivia no sul do Paraná, atravessou a divisa com o Paraguai e morou por um ano em um abrigo em Assunção, capital do país. Depois, precisou voltar para o Brasil. O único lugar que tinha para ir era a casa da mãe, onde também morava o padrasto, que voltou a atormentá-la.

As desventuras, o sofrimento e a intimidação de Cecília só terminaram quando uma cooperativa estendeu a mão a ela e ajudou em sua salvação – sem saber. A história completa pode ser lida neste link.

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