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Especial Sonhos
     

01/11/2017
Credivertentes: sonhar alto e realizar com pés no chão

Prestes a chegar à capital, maior cooperativa de crédito do Campo das Vertentes é prova de que, com ousadia, perseverança e união, o 'impossível' acontece - para todos

Foto: Divulgação / Arte: Deividson Costa

Exatos 26 anos separam 1991 e 2017. Mas quando esse intervalo de tempo diz respeito à Credivertentes, o intervalo parece ser maior. Ou pelo menos mais intenso. Isso porque, no início dos anos 90, a maior cooperativa de crédito do Campo das Vertentes ousou abrir seu primeiro Ponto de Atendimento (PA) fora da cidade-sede. Mais do que isso: o instalou em um distrito, Mercês de Água Limpa – algo inimaginável pelo mercado tradicional daquela época.

No próximo mês, quem diria, a Credi chegará a Belo Horizonte. Sim, à capital, onde instalará seu 18º PA – o segundo inaugurado só neste ano. Salto histórico para a instituição? Com certeza. E benefícios diretos para seus mais de 15 mil associados e 120 colaboradores.

Se para você, que lê este texto, a média de pelo menos uma agência aberta a cada dois anos é surpreendente, imagine então para quem, em 1986, ouviu chacotas sobre a possibilidade de uma instituição financeira da própria comunidade ser aberta no interior de Minas Gerais; encarou a desconfiança pública; encontrou dificuldades legais para colocar a cooperativa em funcionamento.

Foi assim para os 22 fundadores da Credivertentes. Aquela que, antes de se tornar a 5ª maior cooperativa do Sistema Crediminas e uma das maiores empresas do Estado, foi um sonho.

 

“Sonho que se sonha junto...”

 “Olhar para trás também é essencial, mesmo que jogando luz em momentos difíceis, traumáticos. A bonança só veio depois de muita tempestade, que não deve ser esquecida”. A frase é de Donato Alvarenga Rocha, um dos membros-fundadores da Credivertentes.

Foi dele, aliás, um dos primeiros “sim’s” a João Pinto de Oliveira, atual presidente do Conselho de Administração da cooperativa. “Era algo desafiador, mas muito bonito. E sugerido por alguém honesto, com experiência em várias instituições importantes para a cidade. Não tinha como dar errado. E digo mais: nunca falta quem duvide de tudo. Eu fico sempre do outro lado”, acrescenta Rocha.

Foi essa certeza dele, de João Pinto e outros 21 empreendedores que fortaleceu a ideia de dar a São Tiago a chance de contar com uma instituição creditícia própria, com cada um de seus adeptos se tornando verdadeiro dono dela. Tudo isso balizado em democracia, sustentabilidade e, claro, cidadania.

De colchões e caixas improvisadas em casa, moradores locais passaram a ter suas economias resguardadas por um grupo que, anos mais tarde, passaria a ser balizado pelo Sicoob, o maior sistema cooperativista do país.

A partir daí, mais sonhos se tornaram... realidades.

 

Realidade

Antônio Eustáquio de Resende, 69 anos, não é funcionário da Credivertentes. Mas praticamente bate ponto na cooperativa. Segundo ele próprio, uma visita à agência que fica na praça central de São Tiago é parte da rotina. “Quem mexe com terra tem coisa pra resolver todo dia, né? Antigamente o pessoal colocava o dinheiro debaixo do colchão e tava tudo resolvido. Hoje nem se a gente quisesse dava, porque quase não sobra”¸diz aos risos.

E completa: “Mas não reclamo não... A fartura aqui é de honra. A gente arca com o que precisa, dorme tranquilo e acorda de madrugada pra trabalhar mais com sorriso no rosto”.

É assim, aliás, há quase 50 anos. Criado em uma família de trabalhadores rurais, Resende arrendou seis alqueires de terra do pai aos 22. Conta, inclusive, que tinha “oito vaquinhas”. Delas tirava o suficiente para encher alguns latões de leite e saía madrugada afora, a cavalo, distribuindo em alguns pontos da cidade.

Com o passar dos anos a persistência deu resultado. Hoje, Resende administra um sítio de 40 alqueires com 80 cabeças de gado produzindo 170 litros de leite diariamente. Tudo ordenhado manualmente. “Faço isso junto com meu filho. A gente começa às 5h. Parte a gente vende, outra fica pros bezerrinhos que criamos. Depois ele vem pra São Tiago cuidar do armazém que construiu”, conta orgulhoso o associado da Credivertentes com conta desde 1988.

“Antes disso eu tinha passado pro dois bancos que abriram aqui. Ambos faliram. Em um deles peguei um empréstimo com juros de 10% ao ano. Pouco depois eles viraram 10% ao mês. Tive que vender vacas pra pagar. Foi triste, doeu no bolso, doeu a cabeça. Fiquei com medo de não conseguir. Na Credi me senti realmente seguro pela primeira vez. Tanto é que há 28 anos estou com ela”, frisa.

Na cooperativa, aliás, Resende fez financiamento para iniciar a construção de uma casa na área urbana. Gostou tanto da experiência que indicou para a família inteira. “Todo mundo lá em casa é associado. Porque confiança é uma coisa muito difícil de se ter. Aqui as pessoas te olham no olho, explicam as coisas, tratam com carinho. Sou homem da roça, só estudei até o quarto ano, mas sei de algumas coisas importantes na vida. Ver todo mundo como gente ao invés de número é uma delas”, conta.

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